Dra. Daniela Gontijo – Dermatologista

Uma doença autoimune que vai além da aparência — entenda suas causas, como ela se manifesta e as opções de tratamento disponíveis hoje.

Dra Daniela Gontijo Andrade Junqueira

Dra. Daniela é médica Dermatologista, com mais de 20 anos de experiência, especializada em Dermatologia Adulto e Infantil, com formação sólida em Pediatria e Dermatologia Pediátrica. Membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia e da Sociedade Brasileira de Cirurgia Dermatológica, une expertise clínica e compromisso com o cuidado integral da pele em todas as fases da vida.

Neste artigo, vamos explicar de forma clara e acessível o que é o hemangioma, quais os tipos mais frequentes, quais sinais devem preocupar, como é feito o tratamento e, principalmente, por que o acompanhamento com o dermatologista infantil é essencial para garantir a saúde, o conforto e a autoestima da criança.

O que é a alopecia areata?

A alopecia areata é uma doença que causa perda de cabelo sem deixar cicatrizes. A gravidade varia bastante: desde pequenas áreas de perda de cabelo — que muitas vezes se recuperam espontaneamente — até a perda completa dos fios do couro cabeludo ou de todo o corpo, situações em que o prognóstico para o crescimento capilar é bem mais reservado. As unhas também podem ser afetadas, com pequenas depressões pontilhadas, rugosidades ou atrofia.

As evidências atuais indicam que a alopecia areata é causada por um mecanismo autoimune mediado por células T, que ocorre em indivíduos geneticamente predispostos. Fatores ambientais — especialmente o estresse emocional e eventos traumáticos de vida — podem ser responsáveis pelo desencadeamento da doença.

“A alopecia areata não é ‘só uma queda de cabelo’. Seu impacto psicológico e social é profundo — afetando autoimagem, relacionamentos, trabalho e qualidade de vida, mesmo nas formas localizadas.”

A primeira descrição da doença é atribuída ao médico romano Celso, por volta de 25 antes de Cristo — embora tratamentos para um quadro semelhante já fossem descritos em papiros egípcios de 3.500 anos. Hoje, a taxa de incidência nos Estados Unidos é de 0,2 por mil pessoas/ano, com risco projetado ao longo da vida de aproximadamente 1,7% a 2,1%. No Reino Unido, a incidência foi de 0,26 por mil pessoas/ano. No Brasil, a doença representa cerca de 1,2% de todos os atendimentos dermatológicos.

Causas e fatores de risco

Por que a alopecia areata acontece?

O sistema imune do paciente passa a atacar os próprios folículos pilosos na fase de crescimento (fase anágena). Esse ataque inflamatório precipita a entrada dos folículos na fase telógena. Os folículos tentam retornar à fase anágena, mas o desenvolvimento é interrompido precocemente nos estágios 3 e 4, retornando prematuramente à fase telógena — e o ciclo se repete.

Importante: diferentemente das alopecias cicatriciais, o infiltrado inflamatório poupa a região das células-tronco foliculares (istmo). Isso explica por que os folículos não são destruídos na alopecia areata e a recuperação capilar permanece possível.

Fator genético

Histórico familiar positivo está presente em 10 a 20% dos casos. Em gêmeos monozigóticos, a concordância chega a 42–55%, confirmando forte influência genética.

Fator ambiental

O estresse emocional e eventos traumáticos de vida são os fatores externos mais frequentemente implicados no desencadeamento da doença em indivíduos predispostos.

A doença pode surgir em qualquer idade, mas na maioria dos casos o primeiro episódio ocorre antes dos 40 anos, com pico de início entre 25 e 29 anos.

Comorbidades

Doenças associadas

A alopecia areata pode estar associada a outras condições clínicas. Reconhecê-las é parte importante da avaliação completa do paciente:

  • Doenças autoimunes:vitiligo, doenças da tireoide (tireoidite de Hashimoto), lúpus eritematoso, psoríase e artrite reumatoide são mais frequentes nessa população.
  • Doença atópica:a dermatite atópica (eczema) é mais comum do que o esperado e está associada ao início precoce e a formas mais graves. Aproximadamente um terço dos pacientes com AA também tem dermatite atópica.
  • Diabetes mellitus tipo 1:a frequência não está aumentada nos próprios pacientes, mas é mais comum em seus familiares — o que sugere um possível efeito protetor do genótipo diabético.
  • Síndrome de Down:a frequência de alopecia areata nessa população é muito superior à da população geral — cerca de 6%.
  • Síndrome de poliendocrinopatia autoimune tipo 1 (APS1):doença genética caracterizada por doença de Addison, hipoparatireoidismo e candidíase mucocutânea — a alopecia areata ocorre em aproximadamente 50% dos casos.

Saúde mental e qualidade de vida

Afastamento do trabalho e desemprego são mais comuns em pacientes com alopecia areata do que na população geral. O bullying é um problema frequente em crianças afetadas. A prevalência de depressão e ansiedade é significativamente maior do que na população geral — e a depressão em si é considerada um fator de risco para o desenvolvimento da doença. Uma associação entre depressão e citocinas pró-inflamatórias (interleucina 17 e 22) já foi documentada nesses pacientes.

A AA é a segunda dermatose mais encaminhada a psiquiatras por dermatologistas, superada apenas pela psoríase. O cuidado integral — que inclui acolhimento emocional e, quando necessário, apoio psicológico ou psiquiátrico — é parte essencial do tratamento.

Como se manifesta Características clínicas

A lesão inicial é uma área circunscrita, lisa e sem pelos. A pele dentro da área sem cabelo apresenta aspecto normal ou ligeiramente avermelhado. Um teste de tração capilar fortemente positivo nas margens de uma área calva indica progressão ativa da doença — e pode também ser positivo em áreas distantes das placas visíveis.

A progressão é imprevisível: a área pode apresentar recrescimento em poucos meses, ou novas áreas podem surgir em intervalos variáveis. Várias áreas distintas podem coalescer, resultando em grandes extensões sem cabelo. Em alguns casos, há progressão para perda total dos fios do couro cabeludo (alopecia total) ou de todos os pelos do corpo (alopecia universal).

O crescimento dos fios costuma ser inicialmente fino e sem pigmentação, mas geralmente retoma a cor e o calibre normais de forma gradual. Em pacientes grisalhos, a alopecia areata pode afetar preferencialmente os fios pigmentados — poupando os brancos — o que levou ao relato histórico de pessoas que ficaram “brancas da noite para o dia” em quadros rapidamente progressivos.

tricoscopia (dermatoscopia do couro cabeludo) é útil para confirmar o diagnóstico e avaliar a atividade da doença.

Tipos clínicos:

  • AA em placas:áreas circunscritas, ovais ou arredondadas, únicas ou múltiplas. Forma mais comum.
  • AA total:perda de todos os cabelos do couro cabeludo.
  • AA universal:perda de todos os pelos do corpo.
  • AA ofiásica:perda em faixa nas regiões laterais e occipital — geralmente de difícil tratamento.
  • AA ofiásica invertida (sisaifo):alopecia frontoparietal, poupando regiões laterais e occipital.
  • AA difusa:diminuição global da densidade, sem placas delimitadas.

Avaliação da gravidade

Como medimos a extensão da doença?

A gravidade é determinada pelo escore SALT (Severity of Alopecia Tool) — que representa a porcentagem do couro cabeludo comprometida, de 0 a 100. O couro cabeludo é dividido em quatro regiões: superior (40%), posterior (24%) e duas laterais (18% cada). Em alguns casos, mesmo uma AA leve ou moderada pode ter sua gravidade reclassificada — quando há comprometimento visível de sobrancelhas ou cílios, resposta inadequada ao tratamento após 6 meses, teste de tração positivo difuso ou impacto psicossocial significativo.

Leve ≤20%

Muitos casos podem entrar em remissão espontânea. Corticoterapia intralesional ou tópica são as primeiras opções.

Moderada 21–49%

Requer abordagem mais estruturada. Pode incluir corticoterapia sistêmica em pulso, imunossupressores ou imunoterapia de contato.

Grave >50%

Inclui AA total e universal. Os inibidores de JAK aprovados pela Anvisa (baricitinibe e ritlecitinibe) são o tratamento de escolha.

~2% Risco estimado ao longo da vida
de desenvolver alopecia areata

34–50% dos pacientes se recuperam
em até 1 ano

<10% dos casos de AA total ou universal
alcançam recuperação completa sem tratamento

Evolução: Curso e prognóstico

A alopecia areata é uma doença crônica de curso imprevisível. Entre 34% e 50% dos pacientes se recuperam em um ano — mas quase todos apresentam mais de um episódio ao longo da vida. De 14% a 25% progridem para alopecia areata total ou universal, das quais menos de 10% apresentam recuperação completa. Nas formas localizadas e leves, não é necessário tratamento de manutenção permanente — diferentemente das formas graves, nas quais a interrupção costuma levar à recidiva.

Fatores associados a pior prognóstico:

  • Início da doença na infância
  • Duração superior a 12 meses sem resposta ao tratamento
  • Forma ofiásica ou AA total/universal
  • Comprometimento ungueal
  • Associação com doença atópica (especialmente dermatite atópica)
  • Associação com outras doenças autoimunes
  • História familiar de alopecia areata

Diagnóstico

Como o diagnóstico é feito?

O diagnóstico da alopecia areata é essencialmente clínico e dermatoscópico. A tricoscopia confirma o diagnóstico, avalia a atividade da doença e diferencia de outras causas de queda de cabelo. Em casos duvidosos, pode ser realizada biópsia do couro cabeludo. Exames complementares não são obrigatórios, mas podem ser solicitados conforme a suspeita clínica (TSH, anticorpos tireoidoanos, vitamina D, ferritina, hemograma, entre outros).

Diagnóstico diferencial: em crianças, as principais condições a afastar são a tinea capitis (infecção fúngica) e a tricotilomania (hábito de arrancar os próprios cabelos). Em adultos, incluem alopecia androgenética, lúpus e alopecias cicatriciais.

Terapêutica

Opções de tratamento

Não existe cura para a alopecia areata, mas há diversas opções capazes de promover repilação e controlar a doença. A escolha depende da gravidade, da idade, do impacto na qualidade de vida e das condições de saúde. Pesquisas mostram que os pacientes valorizam principalmente: eficácia na repilação, perfil de segurança favorável e conveniência na administração. A decisão compartilhada entre paciente e médico está associada a maior satisfação e menor arrependimento com o tratamento escolhido.

💉 Corticoterapia intralesionalLeve · Moderada⌄

🧴 Corticoterapia tópicaTodas as formas⌄

💊 Minoxidil (tópico e oral)Adjuvante⌄

🔬 Imunoterapia de contato (difenciprona)Grave · Extensa⌄

⚡ Inibidores de JAK (baricitinibe e ritlecitinibe)Grave — 1ª linha⌄

🩺 Imunossupressores e corticoides sistêmicosModerada · Grave⌄

👤 Próteses, camuflagens e suporte emocionalTodas as formas⌄

Cada caso é único.
Vamos conversar.

A escolha do tratamento ideal para alopecia areata exige avaliação individualizada, levando em conta a extensão da doença, seu impacto na sua vida e suas expectativas.

Agende uma consulta com a Dra. Daniela Gontijo.